O Governo português reconheceu esta terça-feira que tinha expectativas elevadas quanto à eleição de Mário Centeno para a vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE), mas admitiu que a candidatura acabou por não reunir o apoio necessário entre os parceiros da zona euro.
À margem da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia, em Bruxelas, o ministro Joaquim Miranda Sarmento sublinhou que Portugal apoiou plenamente o antigo governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, mas que os resultados das votações acabaram por ditar a retirada da candidatura.
Segundo o governante, Centeno ultrapassou a primeira fase do processo eleitoral, mas acabou por ficar para trás nas rondas seguintes, levando o Executivo português a sair da corrida numa tentativa de facilitar um consenso entre os Estados-membros.
Miranda Sarmento reconheceu que se tratava de uma eleição particularmente exigente, não só pelas regras de maioria qualificada reforçada, mas também pelo equilíbrio geográfico, uma vez que os últimos vice-presidentes do BCE eram oriundos do sul da Europa, fator que acabou por favorecer outras candidaturas.
Na votação final, realizada à porta fechada no Eurogrupo, o escolhido foi Boris Vujčić, governador do banco central da Croácia, que garantiu o apoio necessário na terceira ronda, superando o finlandês Olli Rehn. Vujčić irá substituir o espanhol Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.
O processo segue agora para os próximos passos formais, com uma recomendação do Conselho da UE prevista para fevereiro, antes de consultas ao BCE e ao Parlamento Europeu e da decisão final do Conselho Europeu.
Fonte:JN / Foto:portugal.gov