Lisboa trava braço-de-ferro de Trump e exige frente europeia comum sobre a Gronelândia
Publicado em 21/01/2026 05:00
Economia
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O Governo português classificou as pretensões norte-americanas sobre o território dinamarquês como uma "linha vermelha". O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, defende que a soberania europeia não é negociável e avisa que a UE tem mecanismos de retaliação prontos a disparar.A tensão entre Washington e Bruxelas subiu de tom e Portugal já marcou a sua posição. Em vésperas de reuniões decisivas no Eurogrupo e no Conselho Europeu, o ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento, apelou a uma reação "unida e musculada" da Europa face às recentes ameaças de Donald Trump. Em causa está a intenção do Presidente dos EUA de impor tarifas alfandegárias caso a Dinamarca — e a União Europeia — não cedam ao controlo americano sobre a Gronelândia.

Soberania acima de interesses comerciais

À entrada para uma reunião ministerial em Bruxelas, Miranda Sarmento foi categórico: a integridade territorial de um Estado-membro não pode ser moeda de troca. "Há linhas que não se ultrapassam", afirmou o governante, sublinhando que é inaceitável que um aliado histórico e parceiro da NATO coloque em causa a soberania de uma região europeia.

Embora o ministro prefira o caminho do diálogo, lembrou que a União Europeia não está desarmada. Caso Trump avance com as taxas de 10% e 25% sobre produtos europeus previstas para fevereiro e junho, Bruxelas tem "na gaveta" um plano de contra-ataque que pode envolver 93 mil milhões de euros em taxas retaliatórias.

Portugal preparado para o embate

Apesar do cenário de incerteza económica global, o Executivo português assegura que o país está hoje mais resiliente. Segundo Miranda Sarmento, Portugal dispõe de uma estrutura económica "mais robusta" para absorver eventuais impactos negativos resultantes desta guerra comercial entre as duas margens do Atlântico.

A crise da Gronelândia será o tema central da cimeira extraordinária convocada pelo Presidente do Conselho Europeu, António Costa, para a próxima quinta-feira. O objetivo é evitar que a disputa pelo território ártico — estratégico pelos seus recursos minerais e localização — se transforme numa rutura diplomática sem precedentes.

Fonte Lusa

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