Os representantes dos trabalhadores da CP – Comboios de Portugal manifestaram o seu forte descontentamento face à intenção de subconcessionar algumas linhas ferroviárias, classificando a medida como um recuo estratégico e um passo disfarçado rumo à privatização do setor. Em comunicado, as organizações sindicais defendem que a entrega da exploração de troços a operadores privados não resolve os problemas estruturais da empresa pública e serve apenas para enfraquecer o serviço ferroviário nacional. Os trabalhadores temem que este modelo de gestão resulte numa degradação das condições de trabalho e, a longo prazo, numa perda de controlo do Estado sobre um setor que consideram essencial para a mobilidade das populações.Para os sindicatos, a solução para a ferrovia em Portugal deveria passar por um investimento robusto na frota e nos recursos humanos da própria CP, em vez de se recorrer a parcerias que, no seu entender, favorecem apenas os interesses de grupos económicos. O alerta estende-se também aos passageiros, com os representantes dos funcionários a avisarem que a fragmentação das linhas pode levar a uma subida no preço dos bilhetes e a uma perda de qualidade no serviço público. A posição surge num momento de tensão crescente, com as estruturas sindicais a prometerem manter a vigilância e a não excluir formas de luta caso o Governo e a administração da empresa insistam neste modelo de subconcessão.
Fonte Agência Lusa