O antigo líder do PS e o presidente do Chega protagonizaram ontem um debate televisivo marcado pelo contraste direto entre a reforma institucional e a rutura com o sistema político vigente.António José Seguro e André Ventura encontraram-se ontem à noite para um debate que se focou, essencialmente, em três pilares: o funcionamento da justiça, a gestão económica e a segurança. O confronto permitiu expor duas visões distintas para a governação do país.
Justiça e Instituições
A discussão sobre o setor judicial ocupou o primeiro bloco do debate:
António José Seguro: Defendeu o reforço da autonomia do Ministério Público e a implementação de reformas que acelerem os processos judiciais sem comprometer as garantias constitucionais. Criticou a personalização da política, focando-se na defesa do papel das instituições.
André Ventura: Propôs uma revisão profunda do sistema judicial, defendendo o agravamento de penas e uma fiscalização mais apertada sobre os magistrados. Argumentou que as instituições atuais não dão resposta ao sentimento de impunidade na criminalidade económica.
Economia e Fiscalidade
No plano económico, as propostas de ambos os intervenientes mostraram divergências quanto ao papel do Estado:
Seguro enfatizou a necessidade de um crescimento económico baseado na inovação e na estabilidade das contas públicas, priorizando o investimento no Serviço Nacional de Saúde e na Educação como forma de coesão social.
Ventura centrou o seu programa na descida generalizada de impostos, nomeadamente o IRC e o IRS, defendendo que a redução da carga fiscal é o motor necessário para libertar a economia e aumentar os salários.
Dinâmica do Confronto
O debate foi caracterizado por uma troca constante de argumentos. Enquanto António José Seguro procurou manter o foco em propostas programáticas e no seu percurso político, André Ventura utilizou uma estratégia de confronto direto, questionando a eficácia das políticas do passado e apresentando-se como a alternativa ao "voto tradicional".
Ambos os intervenientes utilizaram o tempo de antena para consolidar as suas bases eleitorais: Seguro apelando ao eleitorado moderado e Ventura focando-se no eleitorado descontente com o atual estado da governação.