Silenciosa e Precoce: Hipertensão em Crianças e Jovens Duplicou em Duas Décadas
Publicado em 01/02/2026 15:53 • Atualizado 01/02/2026 15:54
Saúde
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Estudo global revela que o excesso de peso e o sedentarismo estão a empurrar os mais novos para riscos cardíacos antes reservados aos adultos. Especialistas defendem que a solução passa por mudanças no estilo de vida familiar, sem pressões excessivas.

O cenário da saúde pediátrica está a sofrer uma mutação preocupante. Nas últimas duas décadas, a incidência de hipertensão arterial entre crianças e adolescentes quase duplicou em todo o mundo. Segundo um estudo recente publicado na prestigiada revista The Lancet Child and Adolescent Health, as taxas de prevalência subiram de aproximadamente 3% no ano 2000 para valores que agora rondam os 6%.

A investigação, que analisou quase uma centena de estudos em 21 países, aponta o dedo a um "cocktail" de fatores modernos: a obesidade infantil, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados (ricos em sódio) e o aumento drástico do tempo passado em frente a ecrãs, que substituiu a atividade física.

O Perigo da "Hipertensão Mascarada"

Um dos pontos mais alarmantes destacados pelos investigadores, como Mingyu Zhang, da Faculdade de Medicina de Harvard, é a existência da hipertensão mascarada. Muitas crianças apresentam valores normais no consultório médico, mas registam picos de tensão no seu dia a dia.

"Isto significa que muitas crianças com hipertensão real podem passar despercebidas se confiarmos apenas numa leitura ocasional durante uma consulta", alerta Zhang.

Além do estilo de vida, o estudo levanta questões sobre poluentes ambientais, como as chamadas "substâncias químicas eternas" (PFAS), que podem estar a interferir com a saúde vascular desde o período pré-natal.

Mudar o Rumo Sem Criar Traumas

Apesar dos números negros, os especialistas sublinham que este é um risco modificável. A chave não está em dietas restritivas ou na pressão psicológica sobre o peso, mas sim na reabilitação de hábitos familiares.

Peige Song, investigadora na Universidade de Zhejiang e uma das autoras do estudo, defende que a deteção precoce e o foco na nutrição podem reverter a situação antes que surjam complicações graves na idade adulta, como doenças cardíacas.

Conselhos práticos para as famílias:

Priorizar refeições em conjunto: Fomentar um ambiente positivo à mesa.

Evitar rótulos: Não classificar alimentos como "bons" ou "maus" para evitar distúrbios alimentares.

Promover o movimento: Trocar parte do tempo de ecrã por atividades físicas lúdicas.

Vigilância ativa: Não assumir que a tensão alta é "coisa de idosos".

A mensagem dos especialistas é clara: o sistema cardiovascular das crianças está a dar sinais de cansaço precoce, mas a intervenção atempada e um prato mais colorido podem mudar o desfecho desta estatística.

Fonte - CNN Portugal / Foto:DR

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