Salvador Sobral retira discografia do Spotify em protesto contra baixos pagamentos, IA e investimentos polémicos
Publicado em 08/02/2026 22:02 • Atualizado 08/02/2026 22:04
Cultura
FESTIVAL

O músico português Salvador Sobral decidiu retirar todos os álbuns que editou em nome próprio da plataforma Spotify, numa posição crítica em relação ao modelo de negócio do serviço de streaming, que considera injusto para os autores e eticamente questionável. O artista assume que a decisão pode prejudicar a sua carreira, mas garante que não estaria em paz consigo próprio se mantivesse a sua música na plataforma.

Em declarações à agência Lusa, Salvador Sobral afirmou que o Spotify é a plataforma que pior remunera os músicos, pagando valores que classifica como “absolutamente ridículos” por audição. Apesar de reconhecer que a esmagadora maioria dos seus ouvintes utiliza o serviço, diz preferir perder visibilidade a compactuar com aquilo que descreve como uma “tirania digital”.

Outro dos motivos apontados prende-se com o investimento do diretor executivo do Spotify, Daniel Ek, numa empresa europeia de inteligência artificial ligada à área da defesa. Para o músico, esse investimento faz com que a música disponível na plataforma esteja, indiretamente, a financiar a indústria da guerra, algo com o qual recusa ser associado.

A decisão foi também influenciada pela presença de anúncios de recrutamento de forças policiais norte-americanas ligados a operações anti-imigração, bem como pela crescente aposta do Spotify em música criada por inteligência artificial. Salvador Sobral alerta que muitas dessas músicas já circulam em playlists populares sem qualquer identificação clara, o que considera prejudicial para os artistas e para a transparência junto dos ouvintes.

A retirada dos álbuns foi simples nos casos em que detinha os direitos das gravações, mas mais complexa nos trabalhos editados através de editoras. Ainda assim, desde a semana passada, a sua discografia a solo deixou de estar disponível no Spotify. Também a versão original de “Amar pelos dois”, tema vencedor da Eurovisão em 2017, foi retirada da plataforma, com o acordo da irmã, Luísa Sobral.

Atualmente, a música de Salvador Sobral pode ser ouvida noutras plataformas, como a Qobuz, que considera a mais justa para os artistas, bem como na Apple Music e no YouTube. O músico diz esperar que mais artistas se juntem ao boicote, reconhecendo, no entanto, o receio de muitos colegas em dar um passo semelhante.

A viver atualmente na Catalunha, Salvador Sobral integrou o movimento espanhol “Boicot a Spotify”, que já conta com dezenas de artistas. Apesar de admitir que a sua saída não terá impacto significativo na empresa, garante que foi uma escolha de consciência: “Não poderia viver comigo mesmo com a minha música naquela plataforma”.

Fonte:JN / Foto:Salvador Sobral

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