O ecossistema digital atual transformou-se num terreno fértil para a propagação de notícias falsas, e a culpa não é apenas de quem as cria. Segundo o mais recente relatório do observatório Iberifier, a combinação entre o modelo de negócio das plataformas, a arquitetura dos algoritmos e a vulnerabilidade emocional dos utilizadores está a criar uma "tempestade perfeita" para a desinformação.O Modelo de Negócio do "Engagement"
O estudo sublinha que as redes sociais não são canais neutros. O seu lucro depende diretamente do tempo que os utilizadores passam nos ecrãs. Para maximizar esse tempo, os algoritmos privilegiam conteúdos que geram reações rápidas e intensas. O problema? A mentira viaja mais depressa que a verdade.
Algoritmos de Amplificação: Priorizam o que é viral, independentemente da sua veracidade.
Economia da Atenção: O foco está no lucro publicitário, muitas vezes à frente da ética informativa.
Câmaras de Eco: Os sistemas tendem a mostrar apenas opiniões que confirmam as crenças do utilizador, dificultando o contraditório.
O Gatilho Emocional
A desinformação moderna não apela à lógica, mas sim ao sentimento. O Iberifier destaca que conteúdos que provocam medo, indignação ou surpresa têm uma probabilidade muito maior de serem partilhados. Ao reagirmos emocionalmente, a nossa capacidade crítica diminui, tornando-nos veículos involuntários de narrativas falsas.
O Desafio da Literacia
O relatório deixa um aviso claro: o combate à desinformação não passa apenas por ferramentas tecnológicas de verificação (fact-checking), mas por uma mudança estrutural na forma como consumimos informação. A transparência das plataformas e a educação digital dos cidadãos são apontadas como as únicas saídas para travar a erosão da confiança nas democracias contemporâneas.

Fonte - Agência Lusa / Foto:IA