Pedro Duarte defende que a resposta às recentes tempestades expôs lacunas na liderança regional e apelou ao debate sobre novos níveis de governação.
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou esta quinta-feira que a forma como Portugal respondeu ao impacto das recentes tempestades mostra a necessidade de criar níveis intermédios de coordenação e liderança política entre o Governo central e os municípios.
Em declarações à agência Lusa, o autarca considerou que a atual organização do país não está devidamente preparada para gerir situações de emergência ou desafios que exigem ação territorial coordenada, porque falta um patamar político regional com legitimidade e poder de articulação.
Pedro Duarte explicou que, embora os interventores e governos tenham feito um “esforço hercúleo” ao deslocarem-se às zonas afetadas pelo mau tempo, a coordenação entre municípios e com o poder central nem sempre é eficaz, uma vez que os decisores tendem a focar-se no território de cada município e depois regressam a Lisboa quando a fase mais aguda passa.
O autarca salientou que esta falta de “níveis intermédios” não se limita à Proteção Civil, mas implica uma dimensão política mais ampla, com autoridade para liderar territórios numa crise e no seu seguimento.
Como exemplo de reconhecimento dessa necessidade, Duarte mencionou a criação pelo Governo de uma “estrutura de missão” para a reconstrução da região Centro após a tempestade Kristin, que, segundo ele, demonstra que há consciência da importância de estruturas com esse papel.
O autarca defendeu que Portugal deve abrir um debate sério sobre regionalização ou outras formas de descentralização, para definir que tipo de estruturas intermédias seriam mais adequadas e como poderiam funcionar, rejeitando soluções “pré-feitas” sem discussão ampla.
Pedro Duarte deixou ainda um apelo crítico a quem rejeita essas ideias sem reflexão: “Quem afirma que não faz sentido discutirmos a regionalização ou outras formas de coordenação política deveria antes… ir viver para esses territórios e só depois opinar”, afirmou.
Fonte:Lusa / Foto:wikipedia.org