Universidade de Aveiro cria bioplástico a partir de casca de cebola e lamas de batata
Nova solução dispensa processos complexos e promete embalagens funcionais mais sustentáveis
Publicado em 12/02/2026 12:14 • Atualizado 12/02/2026 12:14
Sociedade
Aveiro

Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveram um bioplástico inovador que incorpora casca de cebola moída em matrizes de amido recuperado de resíduos industriais, aproveitando também lamas provenientes do processamento de batata como base do material.

A solução tecnológica elimina a necessidade de processos complexos de extração ou purificação, permitindo criar bioplásticos com melhores propriedades mecânicas, resistência à água, barreira a gases e atividade antioxidante, características essenciais para embalagens funcionais e conservação de alimentos.

Segundo a UA, o projeto foi conduzido pelo CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e seguiu princípios de economia circular, substituindo matérias-primas fósseis por subprodutos não comestíveis, reduzindo o impacto ambiental e a pressão sobre recursos naturais.

A tecnologia encontra-se protegida por patente e utiliza processos industriais convencionais, como extrusão e moldação por compressão, facilitando a produção em larga escala. O trabalho envolveu colaboração entre vários departamentos da UA, incluindo a Escola Superior Aveiro-Norte e o Laboratório Associado para a Química Verde, contando com os investigadores Mariana Vallejo, Beatriz Esteves, Pedro Carvalho, Manuel Coimbra, Martinho Oliveira, Paula Ferreira e Idalina Gonçalves.

A produção global de cebola ultrapassa os 98 milhões de toneladas anuais, sendo que cerca de 5% corresponde a cascas, gerando milhares de toneladas de resíduos em Portugal, sobretudo nas indústrias de descasque, transformação e produção de refeições prontas.

O desenvolvimento deste bioplástico representa uma alternativa sustentável e funcional para o setor de embalagens, valorizando resíduos alimentares e contribuindo para a redução do uso de plásticos de origem fóssil.

Comentários