Um terço dos medicamentos aprovados não chega a Portugal
Publicado em 25/02/2026 00:16 • Atualizado 25/02/2026 00:17
Saúde
Medicamentos

Um novo estudo aponta que cerca de um terço dos medicamentos que recebem autorização na União Europeia não acabam por ser comercializados no mercado português, levantando questões sobre a eficácia do acesso dos doentes a terapias inovadoras no país.

Apesar de muitos fármacos serem autorizados a nível europeu pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) — o que deveria permitir a sua colocação em todos os Estados-membros —, uma parte significativa não chega a ser efetivamente disponibilizada em Portugal para prescrição e dispensa.

Especialistas em saúde dizem que este fenómeno está relacionado com vários fatores nacionais e internacionais: políticas de preços e comparticipações que tornam menos atraente para as empresas lançar novos medicamentos no mercado português; processos de avaliação e negociação que podem atrasar ou bloquear a introdução de terapêuticas inovadoras; e a pressão sobre os recursos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Além disso, desafios como retiradas de medicamentos essenciais do mercado nos últimos anos e uma concentração significativa de fornecedores podem também reduzir a diversidade de fármacos disponíveis no país, comprometendo a escolha terapêutica.

O fenómeno não é exclusivo de Portugal: a variabilidade no acesso a novos medicamentos entre países da UE é reconhecida como uma lacuna estrutural, refletindo diferenças nas negociações de preço, sistemas de reembolso e estratégias dos fabricantes farmacêuticos.

Para muitos doentes, a realidade traduz-se em menos opções de tratamento ou atrasos no acesso a terapias importantes, o que pode ter impacto direto na qualidade e eficácia dos cuidados de saúde.

Fonte e Foto:Lusa

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