O Governo garantiu esta quarta-feira que não aceita um aumento imediato das taxas aeroportuárias para financiar o futuro Aeroporto Luís de Camões. A posição foi assumida pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, durante a CNN Summit Portugal Tour, que decorreu na FIL, no arranque da BTL.
“O Governo português tomou uma posição muito clara e a ANAC também. Não concordamos que o aumento de taxas agora sirva para pagar o novo aeroporto”, afirmou o governante, reagindo à intenção da ANA Aeroportos de Portugal de aumentar significativamente as taxas cobradas aos passageiros em Lisboa.
Miguel Pinto Luz reiterou ainda que o novo aeroporto será totalmente financiado pelo investidor privado, sem qualquer recurso ao Orçamento do Estado. A concessionária, controlada pela Vinci, deverá recuperar o investimento através da concessão, embora se mantenha o desacordo quanto ao prazo: a empresa defende o alargamento de 50 para 80 anos, solução que o Executivo rejeita.
Expansão da Portela ainda não está esgotada
O ministro sublinhou também que o atual Aeroporto Humberto Delgado ainda tem margem para crescer. Está em curso um plano de expansão para a próxima década, que permitirá atingir até 45 movimentos por hora. Segundo o governante, a capacidade disponível ainda não foi totalmente absorvida pelo crescimento do turismo e da economia.
A Vinci está a investir mais de 300 milhões de euros na modernização da infraestrutura, incluindo melhorias no Terminal 1 e no Terminal 2, com conclusão faseada até 2027/28.
TAP e alta velocidade na agenda
A privatização da TAP Air Portugal também esteve em destaque. O ministro assegurou que o processo segue dentro do calendário previsto e que os três maiores grupos europeus de aviação mantêm interesse na companhia, cuja decisão final deverá ser conhecida até meados deste ano.
No plano ferroviário, a prioridade do Governo é a ligação de alta velocidade Lisboa–Porto–Vigo, com conclusão apontada para 2032. A ambição é reforçar a competitividade de cidades como Leiria, Coimbra e Aveiro, aproximando-as significativamente de Lisboa e do Porto.
O Executivo reafirma assim uma linha clara: novo aeroporto sim, mas sem aumento imediato de taxas, sem reforço da concessão e sem custos para os contribuintes.
Fonte:CNN Portugal / Foto:Arquivo