Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços entre patrimónios europeus mais ameaçados
Espaço do Seixal integra lista de 2026 da Europa Nostra devido a riscos estruturais
Publicado em 26/02/2026 19:20 • Atualizado 26/02/2026 19:24
Cultura
Seixal

A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, no concelho do Seixal, foi incluída entre os sete locais patrimoniais mais ameaçados da Europa para 2026, segundo a lista divulgada pela Europa Nostra, principal rede europeia da sociedade civil dedicada à preservação do património cultural.

A classificação surge no âmbito do programa “7 Most Endangered”, desenvolvido com o apoio do Banco Europeu de Investimento, e pretende chamar a atenção para sítios de elevado valor histórico e cultural que enfrentam riscos de degradação.

Com uma história ligada à produção industrial de pólvora negra entre 1896 e 2001, o espaço destaca-se por conservar um sistema original de energia a vapor em funcionamento, incluindo uma caldeira de 1911 e uma máquina a vapor de 1900, que ainda pode ser observada em operação no local.

Apesar de classificada como monumento de interesse público desde 2012 e integrada no Ecomuseu Municipal do Seixal desde 2001, a fábrica enfrenta problemas estruturais relevantes, como colapso de coberturas, fissuras nas paredes, infiltrações de água e corrosão de materiais.

O abandono, episódios de vandalismo, incêndios, inundações e a proliferação de vegetação invasora são outros fatores que contribuem para o agravamento do estado de conservação do conjunto patrimonial, que ocupa uma área de 13,4 hectares.

Segundo o Centro Nacional de Cultura, responsável pela nomeação do sítio português, a situação exige uma intervenção urgente e coordenada para garantir a preservação das estruturas e da maquinaria histórica, considerada única no contexto europeu.

Além do espaço português, a lista final inclui locais da Grécia, Luxemburgo, Hungria, Malta, Roménia e Sérvia, tendo sido escolhidos entre 14 pré-candidaturas avaliadas pelo seu valor cultural e grau de risco.

Os sítios selecionados poderão beneficiar de uma subvenção de cerca de 10 mil euros, destinada a apoiar ações de preservação e estudos técnicos para salvaguarda do património.

Fonte:Lusa / Foto:José Sena Goulão

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