A economia global enfrenta um novo teste de resistência. A escalada militar no Médio Oriente está a empurrar os mercados energéticos para valores críticos, enquanto Vladimir Putin utiliza o fornecimento de gás como arma de arremesso contra as sanções da União Europeia.
Os mercados financeiros amanheceram esta quinta-feira sob forte pressão, reagindo ao agravamento da instabilidade internacional. O petróleo Brent, a principal referência para o mercado europeu, registou uma subida de 3%, fixando-se acima dos 83 dólares por barril. No setor do gás natural, o cenário é ainda mais volátil: os preços saltaram 8,4%, aproximando-se dos 53 euros por megawatt-hora.
Perante o plano de Bruxelas para eliminar a dependência do gás russo até 2027, Vladimir Putin subiu o tom da retórica. O líder russo sugeriu que poderá antecipar o corte total do fornecimento à Europa, alegando que o mercado europeu está a perder relevância face a novas oportunidades comerciais noutras regiões.
"Se nos vão excluir daqui a um ou dois meses, talvez seja melhor pararmos agora", afirmou Putin, num aviso direto que ignora motivações políticas mas sublinha o pragmatismo económico da Rússia.
Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), descreveu a situação atual como uma "montanha-russa" de incertezas. O grande receio das instituições internacionais é que um conflito prolongado no Irão prejudique a confiança dos investidores e force os governos a lidar com uma nova vaga inflacionária, dificultando o crescimento económico mundial.
Embora as bolsas europeias tenham tentado uma recuperação ligeira esta manhã, o balanço da semana permanece negativo, com perdas superiores a 3%. Em Portugal, a preocupação centra-se nos combustíveis, prevendo-se aumentos significativos já na próxima semana, e na persistente dependência do gás proveniente de Moscovo, apesar da redução gradual verificada nos últimos anos.
Fonte - Sic Notícias