O antigo ministro da Economia António Costa Silva afirmou que, apesar das atuais tensões geopolíticas ligadas ao conflito no Médio Oriente, o mundo ainda não entrou numa crise petrolífera profunda, como aquela vivida na década de 1970.
Em entrevista à agência Lusa, Costa Silva disse que não se deve dramatizar de forma excessiva a situação atual dos preços e oferta de energia, mas advertiu que a situação pode agravar-se significativamente se os combates se prolongarem no tempo.
O especialista em energia explicou que, numa crise prolongada, os preços do petróleo podiam subir de forma acentuada, afetando a inflação e obrigando bancos centrais como o Banco Central Europeu e a Reserva Federal dos Estados Unidos a reverem as suas políticas monetárias, com impacto na economia global.
Costa Silva sublinhou ainda que num cenário de conflito rápido e contido os efeitos no mercado energético tenderiam a ser temporários — causando apenas uma turbulência pontual — mas que não há, neste momento, sinais de que o conflito vá terminar rapidamente.
O antigo ministro comentou também a evolução mais ampla da situação no Médio Oriente, incluindo o papel de vários atores e as possíveis consequências económicas de uma escalada prolongada, destacando os riscos para a estabilidade dos mercados energéticos.
Costa Silva é considerado um dos principais especialistas portugueses em energia, com experiência própria na indústria petrolífera e já tendo liderado grandes projetos no setor antes de integrar o Governo português.
Fonte:Lusa / Foto:José Sena Goulão