O Banco de Portugal (BdP) vai poupar cerca de 2,2 milhões de euros com o acordo de reforma de Mário Centeno, afirmou esta sexta-feira o governador Álvaro Santos Pereira. Segundo o responsável, o valor corresponde ao que Centeno teria direito caso permanecesse na instituição até aos 70 anos, incluindo salários, contribuições para a Segurança Social e outros encargos relacionados com funções como telemóveis ou viaturas oficiais.
“Com este acordo, estamos a falar em poupanças que chegam a cerca de 2,2 milhões de euros se Mário Centeno ficasse com o que tinha direito até aos 70 anos”, explicou o governador, sublinhando que a medida representa “gestão prudente” e serviço público.
O acordo prevê que Centeno, antigo ministro das Finanças do governo socialista de António Costa e governador do BdP entre 2020 e 2025, passará à reforma recebendo uma pensão de 10 mil euros brutos por mês, ligeiramente inferior ao montante que teria direito se permanecesse na instituição e também inferior ao salário de 15 mil euros brutos que recebia como consultor do conselho de administração do BdP.
Álvaro Santos Pereira reforçou que a aposentação antecipada foi realizada através do fundo de pensões do Banco de Portugal, totalmente capitalizado e fechado desde 2009, garantindo que não há qualquer recurso de contribuintes envolvidos, nem neste caso nem em futuros acordos com outros trabalhadores antigos do banco central. O acordo foi definido em “mútuo entendimento”, evitando que a iniciativa da reforma antecipada fosse imputada à instituição.
O caso irá ser discutido no Parlamento, depois de um requerimento aprovado por unanimidade na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, que solicita a audição de Álvaro Santos Pereira e de Helena Adegas, responsável pelo departamento de Pessoas e Estratégia Organizacional do BdP. A audição permitirá esclarecer todos os detalhes do acordo e os impactos financeiros para o banco central.
Centeno encerra assim mais de duas décadas de carreira no Banco de Portugal, concluindo o seu período como governador e passando ao regime de reforma assegurado pelo fundo de pensões da instituição.
Fonte:Lusa / Foto:Paulo Novais