O Governo admitiu que poderá recorrer a medidas estruturais para aliviar o esforço financeiro de famílias e empresas caso o conflito no Médio Oriente se prolongue. A situação na região foi descrita como “muito preocupante” pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante uma conferência de imprensa em Lisboa com a homóloga islandesa, Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir.
Rangel explicou que, se houver uma solução rápida para o conflito, Portugal poderá acomodar facilmente os impactos negativos destas semanas e regressar a uma normalização da economia. Caso contrário, serão necessárias intervenções estruturais concretas para proteger o crescimento económico e o investimento, garantindo que não sejam tão afetados pelo conflito.
O ministro destacou que a escalada dos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irão tem pressionado os preços do petróleo, afetando transporte, produção e distribuição de bens essenciais, assim como a agricultura, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para fertilizantes.
Portugal, à semelhança de outros países, está a implementar pacotes de medidas para mitigar o impacto imediato da inflação nos últimos dias. Rangel reforçou que o Governo acompanha a situação com “muito, muito cuidado diariamente” para definir as melhores políticas de mitigação.
A visita da ministra islandesa destacou também a importância da ordem baseada em regras e do direito internacional, enquanto a Islândia enfrenta um impacto limitado mas visível da inflação, devido à sua economia pequena e sustentável em energia hidroelétrica e geotérmica.
Fonte:Lusa / Foto:Tiago Petinga