O presidente do Chega, André Ventura, solicitou esclarecimentos ao Ministério Público sobre as buscas realizadas na Câmara Municipal de Albufeira, considerando que a atuação das autoridades pode configurar uma interferência indevida no debate político.
As buscas foram confirmadas pelo Ministério Público, que indicou tratar-se de um inquérito em segredo de justiça, sem adiantar detalhes sobre o caso. A operação visou a autarquia liderada por Rui Cristina, eleito pelo Chega nas últimas eleições autárquicas.
Segundo informações divulgadas pela comunicação social, as diligências estão relacionadas com suspeitas de incitamento ao ódio e discriminação racial, na sequência de declarações do autarca numa reunião da Assembleia Municipal em novembro, nas quais afirmou que não iria gastar dinheiro em habitações para a comunidade cigana.
Em conferência de imprensa no Parlamento, acompanhado de deputados do partido, André Ventura destacou que os factos em análise dizem respeito a declarações públicas já acessíveis a todos, e reforçou que ideias políticas podem ser contestadas, mas não devem ser alvo de processos judiciais.
Para Ventura, a judicialização do debate político “pode gerar tensões desnecessárias num país que historicamente tem mantido estabilidade e paz política”. O dirigente recordou ainda processos anteriores no Parlamento, incluindo levantamentos de imunidade a deputados e remoção de cartazes do partido, como exemplos do mesmo fenómeno que considera problemático.
O líder do Chega apelou ao Ministério Público para que torne públicos, dentro dos limites do segredo de justiça, os fundamentos das buscas, admitindo formalizar o pedido por escrito caso não haja uma resposta rápida.
Apesar das observações, André Ventura afirmou confiar nas instituições e mostrou-se convicto de que os esclarecimentos serão prestados pela via normal, reforçando a importância de manter o debate político no plano democrático e não judicial.
Fonte:JN / Foto:António Cotrim