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Utentes inscritos nos centros de saúde aumentam 680 mil em década
Número ultrapassa os 10,7 milhões, mas quase 1,6 milhões continuam sem médico de família, refletindo dificuldades no acesso ao SNS.
Publicado em 01/04/2026 15:19 • Atualizado 01/04/2026 15:19
Nacional

O número de utentes inscritos nos cuidados de saúde primários em Portugal aumentou cerca de 680 mil na última década, ultrapassando os 10,7 milhões no final de fevereiro, segundo dados do portal da transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Entre fevereiro de 2016 e fevereiro deste ano, o total de inscritos passou de cerca de 10,07 milhões para mais de 10,75 milhões, o que representa um crescimento de 6,7%. Este valor aproxima-se da totalidade da população residente no país, de acordo com estimativas recentes do Instituto Nacional de Estatística.

Apesar do aumento do número de inscritos, persistem dificuldades no acesso aos cuidados de saúde. No final de fevereiro, cerca de 1,59 milhões de utentes não tinham médico de família atribuído, um problema que tem vindo a agravar-se desde 2019.

Nesse ano, o número de pessoas sem médico de família atingiu o valor mais baixo da última década, mas desde então tem vindo a crescer significativamente, aumentando cerca de 950 mil até ao início de 2026.

Em contrapartida, o número de utentes com médico de família também registou uma ligeira subida ao longo dos últimos 10 anos, passando de cerca de 9,01 milhões para mais de 9,15 milhões. No entanto, este indicador tem apresentado oscilações, com uma quebra significativa em 2024, seguida de uma recuperação moderada.

O portal da transparência indica ainda que mais de 11 mil utentes não têm médico de família por opção própria.

Recentemente, a ministra da Saúde reconheceu que não será possível garantir médico de família para todos os utentes até 2027, devido ao aumento contínuo de inscrições nos centros de saúde.

Por sua vez, a Ordem dos Médicos alertou para o risco de exclusão de utentes das listas de médico de família, na sequência de alterações na gestão do Registo Nacional de Utentes, que permitem libertar vagas de utentes sem contacto com o SNS há mais de cinco anos.

A Administração Central do Sistema de Saúde garante, no entanto, que estas mudanças visam melhorar a gestão dos recursos, assegurando que os médicos de família acompanham quem necessita de cuidados regulares, sem comprometer o acesso aos cuidados de saúde primários.

Fonte:Lusa / Foto:António Pedro Santos

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