O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, afirmou esta terça-feira que as populações afetadas por incêndios e tempestades esperam soluções para os problemas no SIRESP e não discussões sobre responsabilidades políticas ou administrativas.
À margem de uma iniciativa em Matosinhos sobre o aumento do custo de vida, Pureza defendeu que o essencial é garantir um sistema de comunicações de emergência capaz de funcionar em situações críticas.
“As pessoas que ficaram em situações de extrema aflição durante os fogos ou durante as tempestades, e os bombeiros que ficaram sem comunicações de emergência, não querem saber quem errou. O que querem é um sistema que funcione”, afirmou o dirigente bloquista.
José Manuel Pureza reagia às declarações do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre o caso envolvendo o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, e alegadas irregularidades relacionadas com a gestão do SIRESP.
Segundo informação divulgada pela agência Lusa, uma troca de emails entre António Pombeiro e elementos do gabinete ministerial contradiz a versão inicialmente apresentada sobre o primeiro pedido de demissão do responsável.
Num dos emails, datado de 28 de abril, António Pombeiro justificava o pedido de saída com alegadas irregularidades durante a gestão de Viegas Nunes na empresa responsável pelo SIRESP.
Luís Neves negou, no entanto, qualquer contradição e assegurou que os factos conhecidos não colocam em causa a atuação de Viegas Nunes.
Perante o caso, José Manuel Pureza criticou aquilo que classificou como um “jogo de passa culpas” entre responsáveis políticos e administrativos, defendendo que o problema se arrasta há vários anos e atravessa sucessivos governos.
O dirigente do BE considerou ainda que os operadores privados ligados ao sistema continuam sem assumir responsabilidades pelas falhas registadas em situações de emergência.
Pureza manifestou apoio à realização de audições parlamentares sobre o tema, mas insistiu que a prioridade deve ser garantir um sistema de comunicações de emergência eficaz.
O coordenador bloquista admitiu ainda que, caso seja necessário, o primeiro-ministro possa ser chamado a intervir diretamente na resolução do problema.
As declarações de José Manuel Pureza foram prestadas à agência Lusa durante uma iniciativa realizada em Matosinhos.