Lisboa, 11 jul 2026 (Lusa) — O Livre dá hoje o pontapé de saída para o seu 17.º Congresso Nacional, que decorre em Sintra. A reunião magna fica indelevelmente marcada pela despedida de Rui Tavares do cargo de porta-voz, abrindo caminho a uma profunda reestruturação na liderança do partido eco-socialista.
Os trabalhos iniciaram-se no Hockey Club de Sintra, reunindo cerca de 500 delegados (em regime presencial e digital) com a missão de eleger os novos órgãos nacionais para o biénio 2026-2028. Na corrida ao Grupo de Contacto — a direção executiva da força política — apresentam-se três listas distintas.
A Lista A surge como a candidatura da continuidade renovada, sendo encabeçada pela atual líder parlamentar e porta-voz Isabel Mendes Lopes, que faz dupla com Jorge Pinto, o deputado que disputou as eleições presidenciais em janeiro. Ambos avançam para assumir a coportaveza do partido. Logo em terceiro lugar na lista surge Rui Tavares. O rosto mais mediático do Livre abdica da linha da frente da liderança formal ao fim de quatro anos, mas pretende manter-se no núcleo duro com responsabilidades diretas nas áreas da estratégia, comunicação e formação.
Para além da nova dupla de rostos, a Lista A introduz uma novidade orgânica: a distribuição antecipada de pastas e a criação da figura inédita de secretário-geral, cargo focado na "gestão operacional e coordenação de equipa" ao qual se candidata o dirigente Tomás Cardoso Pereira.
Contudo, a atual linha diretiva enfrenta a oposição das listas S e V, capitaneadas respetivamente por Rodrigo Brito e Tiago Mota. Estes setores, que já detêm representação minoritária na direção cessante devido à aplicação do método de Hondt, convergem nas críticas à atual gestão. As candidaturas alternativas apontam o dedo a uma suposta hiperconcentração de poder em torno dos deputados e dos porta-vozes, exigindo maior democracia interna e um reatamento de laços com as bases do partido.
Durante o fim de semana, os militantes vão ainda votar a composição da Assembleia (o órgão deliberativo máximo entre congressos, com 50 assentos) e do Conselho de Jurisdição, cuja disputa opõe a Lista A do deputado Paulo Muacho à Lista J do advogado Ricardo Sá Fernandes. Em cima da mesa estão também 83 moções setoriais, com forte pendor na orgânica interna e no programa político do Livre. O encerramento, no domingo, contará com uma intervenção da coporta-voz do Partido Verde Europeu, Vula Tsetsi, e com um momento de tributo à escritora Maria Gabriela Llansol.