Lisboa, 11 jul 2026 (Lusa) — O Partido Socialista formalizou este sábado um pedido de acesso a todos os relatórios e dados técnicos relativos à mudança de planos para a nova sede do Banco de Portugal (BdP). A iniciativa surge após os socialistas manifestarem fortes reservas quanto à veracidade e à dimensão real da poupança prometida pelo governador do regulador financeiro.
O requerimento, endereçado ao BdP por via parlamentar e consultado pela agência Lusa, foi motivado pelas declarações de Álvaro Santos Pereira durante uma audição na Assembleia da República. Nessa comissão, o governador anunciou que o BdP abdicou de comprar dois prédios no empreendimento de Entrecampos, optando agora pela aquisição de apenas um imóvel — uma viragem estrutural que, segundo as suas estimativas, deverá poupar entre 35 e 40 milhões de euros face ao plano inicial.
Contudo, a bancada do PS não se mostra convencida. "Durante a mesma audição parlamentar foram suscitadas dúvidas quanto à efetiva dimensão da poupança anunciada, designadamente tendo em conta a redução da capacidade instalada, a manutenção de serviços fora da nova sede e os custos associados a essa opção", argumentam os deputados no documento. Sublinhando o "elevado impacto financeiro e patrimonial" da operação, o PS exige que o Parlamento disponha das mesmas ferramentas técnicas que validaram a decisão, com foco nos custos reais, na eficácia operacional e na segurança.
No pacote de exigências, os socialistas requerem o envio imediato das atas do Conselho de Administração onde se debateu a revogação do projeto desenhado em 2024, além de todos os pareceres (internos e externos) correlacionados. O partido quer também analisar à lupa o memorando de entendimento e a revisão do contrato-promessa de compra e venda celebrados com a Fidelidade, a promotora imobiliária do complexo.
O escrutínio estende-se ainda aos custos camuflados que possam decorrer da decisão de não centralizar todas as operações num único polo. O PS quer ter acesso aos estudos que justificam a manutenção dos serviços de tesouraria nas atuais instalações da Rua do Ouro, no centro de Lisboa, e perceber o impacto financeiro dessa fragmentação geográfica.
Na sua intervenção de quinta-feira, Álvaro Santos Pereira tinha defendido que a compra do edifício principal (denominado A1) em regime de Core & Shell (apenas a estrutura básica, sem acabamentos internos) por 165 milhões de euros é uma solução substancialmente mais ajustada à instituição. O governador garantiu aos deputados que eventuais derrapagens no calendário ou despesas de adaptação decorrentes da mudança de rumo seriam amplamente absorvidas pela margem de poupança conseguida no negócio com a Fidelidade.