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Doloroso regresso à normalidade na Caparica com a água ainda incerta
Comerciantes somam prejuízos após debandada de turistas, farmácias tratam idosos com problemas de pele por falta de higiene e autarquia aplica "cortes solidários".
Por Redação
Publicado em 11/07/2026 16:20
Nacional
@Lusa

Lisboa, 11 jul 2026 (Lusa) — O ambiente na Costa da Caparica é este sábado de rescaldo. Entre limpezas profundas e a contabilização dos prejuízos financeiros, a população local tenta recuperar das sucessivas falhas no abastecimento público de água. O impacto económico no comércio de proximidade é ainda incalculável, tendo já provocado a fuga prematura de centenas de veraneantes da cidade balnear.

Rosália Medeiros, proprietária de uma mercearia local, lida com a intermitência nas torneiras desde o início do ano e não esconde a revolta: "Estamos a pagar por uma coisa que não estamos a utilizar. Os turistas vão embora, o dinheiro vai embora e quem fica aqui a chupar o dedo são os comerciantes e a população", desabafou à agência Lusa. Sem água para assegurar tarefas básicas como lavar o chão ou manter as casas de banho operacionais, a lojista — estabelecida na Costa há duas décadas — relata que o turismo "foi embora a falar horrores" e a prometer não regressar. Embora o fluxo tenha sido reposto nos últimos três dias, o stock de água engarrafada que antes esgotava acumula-se agora em paletes vazias de clientes.

A crise sanitária estendeu-se também às farmácias do centro da cidade. Sem registo de casos graves de desidratação — uma vez que a população recorre à compra de água engarrafada —, o foco clínico virou-se para problemas dermatológicos decorrentes da falta de higiene corporal forçada. O farmacêutico João Rodrigues revelou que nos últimos dias têm assistido vários idosos "com a pele macerada" e "com assaduras", uma consequência direta de estarem privados de água corrente em casa. Segundo o profissional, os primeiros sinais de quebra na pressão surgiram em maio, culminando num cenário crítico no final de junho.

A aparente estabilização das últimas horas é associada por alguns moradores à forte contestação popular de quarta-feira passada, que mobilizou 1.500 pessoas num protesto ruidoso pelas ruas. Para tentar equilibrar a rede, os serviços municipais implementaram um sistema de "cortes solidários" — interrompendo o fornecimento em bairros com abastecimento regular para canalizar o recurso para as zonas mais críticas. Atualmente, o plano passa por restrições noturnas alternadas entre localidades, embora em pontos como o Monte da Caparica ainda existam relatos de torneiras totalmente secas na sexta-feira.

No setor hoteleiro, a capacidade de resistência variou consoante a infraestrutura. Na histórica estalagem Colibri, edificada na década de 1950, o negócio subsistiu graças a um depósito interno de raiz. A rececionista Sílvia Vieira explicou que o tanque acumulava água durante o período noturno para garantir o funcionamento diurno. Ainda assim, a estalagem não escapou à onda de cancelamentos. "As pessoas perguntam: então e os restaurantes, casas de banho de praia? Claro que isso está tudo fechado", frisou, recordando a imagem insólita do fim de semana transato, com filas intermináveis de automóveis a abandonar a Costa em plena hora de almoço ao perceberem que a cidade estava paralisada.

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