Vieira do Minho, Braga, 11 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, lançou duras críticas a Luís Montenegro a propósito do caos na classificação dos exames nacionais. O líder da oposição acusou o chefe do Executivo de desvalorizar um problema que afeta milhares de famílias e disparou que Montenegro "está a trabalhar para ser um dos piores primeiros-ministros desde o 25 de Abril".
À entrada para o XXII Congresso Federativo do PS em Braga, o dirigente socialista não poupou nas palavras para descrever as falhas na plataforma digital de avaliação: "Há professores de Matemática que recebem provas de Português, professores de Português que recebem provas de Matemática. E ontem mesmo tivemos conhecimento de que foram dadas instruções aos classificadores para que mesmo que as provas não estejam completas elas sejam classificadas. Isto significa uma fraude ao processo de avaliação", denunciou Carneiro.
Instado a comentar a recente promessa do PSD de remunerar os docentes com horas extraordinárias pelo trabalho de correção aos fins de semana, o líder do PS foi perentório. "Estou a chamar o primeiro-ministro para explicar como é que vai garantir a fiabilidade do processo. Os professores não estão à venda", atirou, sublinhando que a medida anunciada pela tutela não resolve a crise de "confiabilidade" que se instalou no sistema de ensino, que já obrigou ao adiamento do calendário de afixação de notas e da segunda fase das provas.
Caso o Governo recuse dar esclarecimentos cabais no Parlamento, José Luís Carneiro assume que o PS não hesitará em avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), justificando que estão em causa doze anos de esforço de milhares de estudantes que agora veem o seu acesso ao ensino superior sob forte ameaça.
O líder partidário aproveitou ainda para criticar a postura pública do Primeiro-Ministro, lamentando que Montenegro tenha viajado para o Mundial de futebol num momento em que o país estava em alerta climático e que, agora, tenha optado por reagir à crise das escolas no recinto de um festival de música. "Mostra tudo sobre a insensibilidade", lamentou.
Apesar de o Ministério da Educação prometer a publicação das pautas para o dia 17 de julho, o secretário-geral do PS antevê um cenário negro no pós-resultados, alertando para uma provável vaga massiva de pedidos de reapreciação de exames. "Imaginem que pedem a revisão das provas e não aparecem as folhas todas dos exames. Têm consciência da gravidade do que se está aqui a passar?", inquiriu, acusando o Executivo de estar simplesmente a "varrer o lixo para debaixo do tapete".