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Docentes podem reportar falhas nos exames no sistema e respostas incompletas não estão a ser avaliadas
Eduqa desmente acusações de desleixo nas correções e introduz botão de alerta na plataforma, enquanto o Governo promete pagar horas extra para compensar o esgotamento dos professores.
Por Redação
Publicado em 11/07/2026 12:05 • Atualizado 11/07/2026 12:24
Nacional
@Lusa

Lisboa, 11 jul 2026 (Lusa) — O Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Eduqa) implementou uma nova ferramenta digital para que os professores possam sinalizar anomalias na correção das provas nacionais. A instituição pública aproveitou ainda para desmentir categoricamente a denúncia do movimento Missão Escola Pública, que acusava a tutela de obrigar os docentes a classificar exames cujas páginas estavam em falta.

De acordo com o Eduqa, as diretrizes partilhadas em conjunto com o Júri Nacional de Exames (JNE) "não contemplam a situação descrita" pela associação de docentes. O organismo sublinhou que os avaliadores têm agora ao seu dispor o botão “Reportar” no sistema central para alertar sobre quaisquer desconformidades. Na sequência destes avisos, foi inclusive realizada uma intervenção informática geral na noite de quinta-feira para repor a estabilidade do processo de avaliação.

A resposta surge após as duras críticas de Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública, que expôs instruções partilhadas em fóruns internos de apoio. Nesses canais, um supervisor terá indicado a um professor que, caso a página em falta de um exame digitalizado não surgisse até ao encerramento do prazo, este deveria "classificar com os dados que tem" — uma indicação que o movimento considerou extensível a toda a comunidade de corretores.

No plano político e logístico, o Ministério da Educação mantém a confiança de que $75\%$ das provas já se encontram avaliadas e garante a afixação das pautas para o próximo dia 17. No entanto, a introdução inédita da digitalização de cerca de 300 mil exames do ensino secundário — combinada com a promessa do Governo de facultar o acesso universal às cópias corrigidas a todos os 166 mil estudantes devido aos sobressaltos informáticos — está a deixar as escolas em alerta.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), exige esclarecimentos urgentes sobre como se vai operacionalizar este processo logístico massivo. O representante manifestou ainda profunda preocupação com a sobrecarga física e mental dos professores corretores, classificando-os como as "grandes vítimas" de um sistema que os sobrecarrega após um ano letivo inteiro de docência.

Para tentar travar o descontentamento da classe, o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, anunciou em conferência de imprensa que o ministro Fernando Alexandre determinou o pagamento de horas extraordinárias aos professores envolvidos na classificação das provas, como forma de compensação pelo esforço financeiro e laboral despendido nas últimas semanas.

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