O presidente da APIFARMA, João Almeida Lopes, alertou este domingo para a necessidade inevitável de rever em alta o preço dos fármacos. Em causa está a pressão da inflação e o impacto das políticas económicas dos Estados Unidos no mercado global.A sustentabilidade do acesso ao medicamento em Portugal está sob ameaça. Num aviso claro dirigido ao Governo e aos reguladores, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) revelou que o atual modelo de preços é "insustentável" perante o cenário económico de 2026.
Segundo João Almeida Lopes, dois grandes motores estão a empurrar os custos de produção para níveis recorde. Por um lado, a inflação persistente continua a encarecer a logística, a energia e a aquisição de matérias-primas essenciais. Por outro, a pressão económica exercida pelos EUA tem reconfigurado o mercado internacional, forçando uma escalada de preços que acaba por chegar à Europa e, consequentemente, a Portugal.
O dirigente sublinhou que o maior perigo não é apenas o aumento do custo para o consumidor ou para o Estado, mas sim o risco de escassez. "Se os preços não acompanharem os custos reais de produção, muitas empresas podem ver-se obrigadas a retirar produtos do mercado nacional por falta de viabilidade económica", explicou em declarações à comunicação social.
Os medicamentos de baixo custo, como muitos genéricos, são os que correm maior risco de desaparecer das prateleiras das farmácias, uma vez que as suas margens de lucro são as primeiras a ser absorvidas pela inflação.
A APIFARMA defende agora uma revisão urgente dos mecanismos de fixação de preços, pedindo ao Ministério da Saúde que implemente medidas que garantam a competitividade de Portugal face a outros países europeus. Sem esta atualização, a indústria teme que os doentes portugueses fiquem em desvantagem no acesso a terapias essenciais.
O setor aguarda agora uma reação oficial do Ministério da Saúde, numa altura em que o orçamento das famílias continua sob pressão.
Fontes: Jornal de Negócios / RTP (com base nas declarações de João Almeida Lopes, presidente da APIFARMA).