O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, manifestou pesar à Coreia do Norte devido a recentes incursões de drones civis em território norte-coreano, num gesto considerado relevante por ser a primeira referência direta ao assunto dirigida a Pyongyang.
Durante uma reunião do Conselho de Ministros, o chefe de Estado sublinhou que, apesar de os incidentes não terem sido atos do Governo, estes contribuíram para uma “tensão militar desnecessária” na região, classificando o comportamento como imprudente.
As declarações surgem no contexto de investigações em curso sobre vários voos não autorizados de drones, realizados entre setembro de 2025 e janeiro deste ano. Três pessoas já foram acusadas pelas autoridades sul-coreanas por traição e violação da legislação de segurança aérea, incluindo um estudante, um funcionário dos serviços de informação e um militar.
Segundo as autoridades, os suspeitos terão utilizado drones para captar imagens em zonas próximas da fronteira, conseguindo contornar sistemas de defesa aérea. Alguns aparelhos chegaram a cair em território norte-coreano, levando Pyongyang a acusar Seul de violação da sua soberania.
Lee Jae-myung alertou ainda para o impacto destes incidentes na segurança das populações que vivem nas zonas fronteiriças e destacou a necessidade de identificar quem poderá beneficiar com este tipo de ações. Nesse sentido, ordenou a adoção de medidas institucionais para evitar a repetição de episódios semelhantes.
O Presidente sul-coreano reforçou igualmente que a paz e a estabilidade na península coreana devem ser prioridades, num contexto internacional marcado por vários conflitos e instabilidade.
Embora seja a primeira declaração direta do chefe de Estado sobre o caso, o ministro sul-coreano da Unificação já tinha expressado anteriormente o seu pesar, numa posição que chegou a ser reconhecida de forma positiva por Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano.
Apesar de alguns sinais de aproximação, a Coreia do Norte mantém a rejeição do diálogo com o Sul e continua a considerar o país como uma nação hostil.
Fonte:Lusa / Foto:Yonhap