Nova Iorque, 26 mai 2026 (Lusa) – O embaixador da Ucrânia junto das Nações Unidas, Andrii Melnyk, ladeado por diplomatas de mais de 40 países — entre os quais Portugal —, condenou hoje na sede da organização a "escalada inaceitável" das operações militares russas registadas no último fim de semana. O bloco de aliados aproveitou a tomada de posição conjunta para exigir a Moscovo um cessar-fogo "total, imediato e incondicional".
"A Rússia atingiu um novo e assustador nível de agressão contra a Ucrânia", afirmou Melnyk nas instalações da ONU, em Nova Iorque. O diplomata ucraniano esteve acompanhado pela quase totalidade dos representantes europeus, pelo embaixador da União Europeia e por enviados de nações como o Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul. Em contrapartida, os Estados Unidos, que têm assumido um papel de mediação direta entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, optaram por não subscrever o documento.
Segundo o relato de Andrii Melnyk, as forças russas desencadearam na madrugada de domingo um dos mais severos e complexos ataques combinados desde o início do conflito. A ofensiva recorreu a centenas de vetores aéreos, incluindo mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e frotas de veículos aéreos não tripulados (drones), resultando numa das investidas mais destrutivas de que há memória na capital, Kyiv.
O manifesto conjunto sublinha que o bombardeamento sistemático contra habitações, infraestruturas civis e a rede energética da Ucrânia configura uma violação grave do direito internacional humanitário. Além da interrupção imediata das hostilidades, os signatários reclamaram a aplicação de medidas humanitárias urgentes, tais como a troca integral de prisioneiros de guerra e a repatriação de todos os civis deslocados à força, com particular insistência na devolução de milhares de crianças ucranianas.
A declaração dos diplomatas precedeu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Perante o órgão, o secretário-geral António Guterres tomou a palavra para lançar um apelo veemente no sentido de se "evitar uma escalada" ainda maior no terreno de jogo.
A situação militar na região permanece sob extrema tensão, depois de o Kremlin ter anunciado uma nova vaga de ataques aéreos dirigidos a centros de comando e complexos da indústria militar em Kyiv. De acordo com a tutela da Defesa russa, as ações surgem como retaliação pelo bombardeamento ucraniano contra um dormitório de estudantes na zona ocupada de Lugansk. Face ao agravamento do cenário, as autoridades russas emitiram um aviso explícito para que o pessoal diplomático e os cidadãos estrangeiros abandonem a capital ucraniana com a maior celeridade possível.