Burgos, 06 mai 2026 (Lusa) – A gestão florestal e o combate a incêndios estão a entrar numa nova era com a integração de inteligência artificial (IA) e robótica avançada. No centro desta revolução tecnológica está um robô quadrúpede, capaz de operar em cenários de risco elevado e terrenos de difícil acesso, apresentado hoje no I Congresso Internacional de Digitalização Florestal, em Burgos.
Desenvolvido pelo Centro Tecnológico ITCL de Castela e Leão, o dispositivo destaca-se por estar equipado com sensores de última geração e uma mangueira integrada, semelhante às utilizadas pelas equipas de bombeiros. A sua capacidade de se deslocar com estabilidade em ambientes extremos permite não só o combate direto às chamas em zonas perigosas, mas também a monitorização de dados em tempo real, antecipando situações críticas e garantindo uma maior segurança para os operacionais humanos.
Esta inovação surge num contexto de adaptação às alterações climáticas e aos desafios colocados pelos incêndios de quinta geração, onde o planeamento estratégico se torna vital. Além do robô combatente, o ITCL revelou um veículo autónomo com tração 6x6 e capacidade para 1.400 quilos, desenhado para o transporte de madeira em zonas acidentadas, otimizando a logística e emitindo alertas sobre o estado da vegetação e riscos de ignição.
A digitalização estende-se ainda à cadeia de abastecimento, com sistemas de visão computacional que permitem o rastreamento total da madeira, desde o abate na floresta até à chegada à fábrica. Através da análise de imagens de satélite e reconhecimento automático, o setor procura reduzir erros logísticos e aumentar a transparência do processo. Para a formação de novos especialistas, o congresso destacou também o uso de simuladores de realidade mista, que permitem treinar táticas de combate em ambientes virtuais realistas e seguros.