Tenerife (Agência Lusa) – A operação de desembarque e repatriamento de mais de uma centena de pessoas a bordo do navio MV Hondius, onde foi detetado um surto de hantavírus, já arrancou nas Ilhas Canárias. Segundo o Governo espanhol, em informações avançadas pela Agência Lusa, o processo decorrerá de forma faseada até à tarde desta segunda-feira, garantindo o isolamento total dos passageiros.
O navio de cruzeiro, que esteve retido em quarentena em Cabo Verde, atracou no porto de Granadilla, em Tenerife, na madrugada deste domingo. A bordo encontram-se 147 pessoas, entre passageiros, tripulantes e equipas médicas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), que acompanham a situação sanitária desde o início do alerta.
A Ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, explicou que o plano de evacuação prioriza a segurança nacional e internacional. De acordo com os detalhes fornecidos à Agência Lusa, o primeiro grupo a desembarcar é composto por 14 cidadãos espanhóis, que serão transportados para um hospital militar em Madrid. Seguem-se os repatriamentos coordenados pelos Países Baixos, Canadá, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos ao longo do dia de hoje.
Para evitar qualquer risco de contágio para a população local, as autoridades estabeleceram um corredor de segurança de 10 quilómetros entre o porto e o aeroporto de Tenerife Sul. O transporte é realizado em veículos militares e os passageiros apenas saem do barco quando os aviões de repatriamento estão prontos para descolar. O último voo, com destino à Austrália, está agendado para a tarde de amanhã.
A equipa médica do serviço de Saúde Exterior subiu a bordo para avaliar os ocupantes e confirmou que, de momento, todos os que permanecem no navio estão assintomáticos. O surto da variante rara "Andes" do hantavírus causou, até à data, três mortes confirmadas pela OMS, mas nenhum dos pacientes infetados ou com sintomas graves se encontra atualmente na embarcação.
Após a conclusão do desembarque dos passageiros, o MV Hondius deverá seguir viagem para os Países Baixos apenas com os membros da tripulação necessários para a navegação. A operação é fruto de uma coordenação internacional sem precedentes entre Espanha, os Países Baixos e as principais agências de saúde globais.