A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou esta segunda-feira que o Presidente russo, Vladimir Putin, atravessa o seu momento de maior debilidade estratégica desde o início da invasão. No entanto, a Alta Representante alertou que, apesar da fragilidade de Moscovo, ainda é prematuro falar em negociações de paz, uma vez que o Kremlin não demonstra intenções de dialogar de boa-fé.
Em conferência de imprensa após a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Bruxelas, Kallas sublinhou que a dinâmica da guerra está a mudar, apontando como provas as perdas recorde no campo de batalha e o crescente descontentamento na sociedade russa. Para a diplomata, o facto de a recente parada militar de 9 de maio em Moscovo ter sido reduzida e sem exibição de equipamento pesado é um sinal claro de desgaste. "A leitura geral é que Putin nunca esteve numa posição tão vulnerável", afirmou, citada pela agência Lusa.
A governante europeia aproveitou para reforçar o apoio ao caminho europeu de Kiev, defendendo a abertura de todos os capítulos das negociações de adesão da Ucrânia antes do verão. Kallas frisou que a integração da Ucrânia na UE "não é caridade, é um investimento na segurança" europeia. No horizonte imediato do bloco dos 27 está o desenho de novas sanções para asfixiar as receitas do Kremlin, tema que será aprofundado na reunião informal de ministros agendada para o final de maio, em Chipre.