Havana, 14 de maio de 2026 (Lusa) — O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou hoje que o fim do bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos seria a solução mais eficaz para apoiar o país, reagindo assim à oferta de Washington de uma doação humanitária de 100 milhões de dólares (cerca de 85,6 milhões de euros).
Através da rede social X, o líder cubano argumentou que o alívio das sanções permitiria atenuar os danos na ilha de forma "mais simples e rápida", acusando Washington de provocar "friamente" a atual crise humanitária. Cuba enfrenta, desde o final de janeiro, um severo bloqueio energético que tem resultado em cortes de eletricidade prolongados, gerando um clima de instabilidade e desespero na população.
Apesar das críticas, o Governo cubano mostra-se aberto ao diálogo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, confirmou que as autoridades estão dispostas a analisar as condições da oferta norte-americana, desde que esta seja "livre de manobras políticas" e respeite a dignidade de um povo "sob cerco". Esta é a primeira vez que os EUA formalizam publicamente uma proposta de assistência deste montante através do Departamento de Estado.
Miguel Díaz-Canel reforçou que, se a ajuda for genuína e seguir as práticas humanitárias universais, "não encontrará obstáculos nem ingratidão". O Presidente cubano estabeleceu como prioridades absolutas para o país a receção de combustíveis, alimentos e medicamentos.
Por seu lado, o Departamento de Estado norte-americano esclareceu que a assistência de 100 milhões de dólares seria canalizada através da Igreja Católica e de outras organizações independentes, cabendo agora a Havana decidir se aceita ou rejeita este apoio "vital e crucial". Para a diplomacia cubana, existe uma "incongruência" entre esta oferta de generosidade e a manutenção de uma "guerra económica" que castiga coletivamente o povo.