Gondomar, 15 de maio de 2026 (Lusa) — O bastonário da Ordem dos Enfermeiros elogiou hoje a iniciativa do Presidente da República de promover um pacto para a saúde e exigiu estabilidade para uma área que “não pode continuar a ser um palco de disputa política”.
Durante a sessão de abertura do VII Congresso dos Enfermeiros, em Gondomar, Luís Filipe Barreira sublinhou que o setor precisa de uma visão de longo prazo e de capacidade de reforma sem estar refém de ciclos eleitorais. “Em 10 anos tivemos cinco ministros da Saúde. Não é possível fazer reformas nestas condições”, afirmou o responsável, dirigindo-se diretamente à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O bastonário aproveitou a ocasião para reiterar propostas que a Ordem considera fundamentais e de fácil execução, como a atribuição de um enfermeiro de família a todos os utentes. Segundo Luís Filipe Barreira, este profissional deve ser a referência no acompanhamento próximo das populações, focando-se na prevenção da doença, gestão de patologias crónicas e articulação entre diferentes serviços de saúde.
Outro ponto central do discurso foi a defesa da prescrição por enfermeiros e a implementação da prática de enfermagem avançada em Portugal. O bastonário argumentou que não se trata de uma ambição corporativa, mas de uma resposta racional para tornar o sistema mais eficiente, reduzindo idas desnecessárias às urgências e aproveitando competências que estes profissionais já exercem com sucesso noutros países europeus.
No final da sua intervenção, Luís Filipe Barreira manifestou a esperança de que o acordo coletivo de trabalho em discussão entre o Governo e os sindicatos traga "mais justiça e igualdade" à profissão. Antes de concluir, o bastonário entregou a Medalha de Ouro da Ordem dos Enfermeiros a Luís Montenegro, reafirmando a disponibilidade da classe para colaborar em soluções úteis para o país.