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Portugal em perigo de falhar metas climáticas, alerta associação Zero
Publicado em 16/05/2026 11:21
Nacional
Foto:José Coelho / Lusa

Lisboa, 16 de maio de 2026 (Lusa) — A associação ambientalista Zero emitiu hoje um aviso severo, alertando que Portugal poderá não conseguir cumprir as metas climáticas estabelecidas para 2030. Na base do alerta está o facto de o país ter registado uma redução de apenas 3% nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) durante o ano de 2024, um ritmo considerado insuficiente para as metas europeias.

Em comunicado emitido a propósito dos dados oficiais, a Zero esclarece que a ligeira descida registada em 2024 dependeu excessivamente da produção de eletricidade renovável e de fatores puramente conjunturais, como os elevados níveis de pluviosidade. Em contrapartida, o setor dos transportes continua a ser o grande entrave à transição ecológica, sendo atualmente responsável por 35,2% do total de emissões nacionais.

Segundo os dados do inventário que cobre o período entre 1990 e 2024, Portugal emitiu 51,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e) no último ano (excluindo o setor florestal e uso do solo). Embora se confirme uma rota de descida sustentada desde 2005 devido ao encerramento de centrais poluentes e ao aumento da eficiência energética, a associação aponta "fragilidades estruturais profundas" e critica a falta de uma governação robusta alinhada com a Lei de Bases do Clima.

A inversão preocupante nos combustíveis O cenário agrava-se com as projeções mais recentes. Apesar de o consumo de gasóleo e gasolina ter estabilizado em 2024, os indicadores revelaram uma inversão de tendência. Em 2025, o consumo destes combustíveis fósseis cresceu 0,9% e, no primeiro trimestre deste ano, registou-se um disparo ainda mais expressivo de 2,5% em termos homólogos. A Zero atribui esta dinâmica à incapacidade sistemática do Governo e do Parlamento em aplicar políticas públicas eficazes no setor da mobilidade.

Noutros setores de atividade, os dados de 2024 revelam que a indústria (10% das emissões) continua a reduzir a sua pegada carbónica e a agricultura (13,5%) mantém-se estável. Preocupante é o panorama na gestão de resíduos (11%), onde não se registam quebras, e nos gases fluorados (4%), que têm registado uma subida acentuada.

Para alcançar a meta do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), que exige uma redução de 55% das emissões até 2030 face a 2005, Portugal terá de cortar quase 13 milhões de toneladas em apenas seis anos, fixando o teto máximo nas 38,7 milhões de toneladas. Para a Zero, esta meta só será exequível com uma reindustrialização verde e uma transformação radical nos transportes, focada na ferrovia, na eletrificação de frotas intensivas e no desincentivo ao uso do automóvel particular.

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