GONDOMAR, 16 de maio de 2026 – O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) criticou hoje a intervenção do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, no congresso da Ordem dos Enfermeiros, classificando as promessas do Executivo como um mero "discurso de intenções".
Em comunicado, a estrutura sindical lamentou que o chefe do Governo não tenha assumido "nenhum compromisso de resolução imediata dos problemas que se arrastam" na classe, destacando a ausência de garantias para o pagamento dos retroativos devidos entre 2018 e 2021 relativos à progressão na carreira.
A reação surge após Luís Montenegro ter anunciado em Gondomar que o Ministério da Saúde está a trabalhar para fechar, "nas próximas semanas", um Acordo Coletivo de Trabalho que garanta estabilidade a estes profissionais. No entanto, o SEP contesta o otimismo do Executivo, alertando que a atual proposta laboral "retira direitos e rendimentos através do banco de horas e da adaptabilidade".
O sindicato apontou ainda o dedo à gestão dos recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Embora o Primeiro-Ministro tenha destacado um reforço de 2.126 enfermeiros nos últimos dois anos, o SEP contrapõe que, no mesmo período, foram formados cerca de 6.000 profissionais, o que demonstra a incapacidade de retenção do sistema. A estrutura sublinha ainda a sobrecarga da classe, lembrando as "5,6 milhões de horas extraordinárias" realizadas em 2024.
"O Ministério da Saúde não paga dívidas a esses profissionais [...] nem reforça o seu número em vários serviços", acusa o sindicato, que lamenta também o bloqueio na progressão de carreira e a não transição de categoria para centenas de enfermeiros que detêm o título de especialista desde 2019.