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Amolador do Bolhão entra para o Património Nacional
Publicado em 16/05/2026 17:13 • Atualizado 16/05/2026 17:14
Sociedade
Foto:João Pedro Rocha

Porto, 16 mai 2026 — A arte de amolador, preservada no Mercado do Bolhão por André Fernandes, foi oficialmente integrada na Rede Nacional do Património Cultural Imaterial. O reconhecimento distingue a resiliência do artesão portuense em salvaguardar um ofício tradicional considerado em vias de extinção, avança o Jornal de Notícias.

A distinção mereceu o apoio institucional imediato da Câmara Municipal do Porto. Em visita efetuada às bancas 29 e 30 do mercado histórico, o presidente da autarquia, Pedro Duarte, felicitou o casal André e Susana Fernandes e garantiu o empenho do município na preparação do próximo passo: a candidatura da arte a Património Cultural Imaterial da UNESCO.

"Há profissões que ajudam a contar a história das cidades, e esta é uma delas. O André mantém viva essa história, todos os dias, com muito trabalho e dedicação", declarou o autarca, sublinhando que a preservação da identidade do Porto passa pela proteção dos saberes e das pessoas que dão alma à cidade.

A insígnia, hoje formalizada como marca registada e certificada "André Amolador", representa a continuidade de uma herança familiar que recua três gerações. O percurso iniciou-se em 1985 pela mão do avô de André, transitou posteriormente para o pai e foi assumido pelo atual proprietário em 2013, que abdicou de outras áreas profissionais para honrar o compromisso com o negócio de família.

Para assegurar a viabilidade da atividade face às exigências do comércio contemporâneo, o artesão diversificou a oferta. A par dos serviços tradicionais de cutelaria e amolação, a oficina destaca-se hoje pelo restauro de guarda-chuvas e pela produção de cutelaria artesanal, valências que atraem tanto os clientes habituais de há várias décadas como o fluxo de turistas que visita o mercado.

Com a integração nesta plataforma nacional de partilha e salvaguarda de boas práticas, a atividade do emblemático espaço do Bolhão ganha uma nova dimensão de proteção cultural, assegurando que o característico som da flauta de amolador continuará a integrar a paisagem urbana da Invicta.

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