Lisboa — O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, não será ouvido pela Assembleia da República no decorrer desta semana para esclarecer a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América. Apesar de o chefe da diplomacia portuguesa se ter manifestado disponível para comparecer no Parlamento já na próxima quarta-feira, fonte parlamentar confirmou à Agência Lusa que a Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas não tem nenhuma reunião agendada para os próximos dias.
A audição do governante foi motivada por requerimentos do PS e do PCP, que surgiram após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter elogiado publicamente Portugal por autorizar o uso da infraestrutura açoriana no contexto do conflito militar com o Irão. Em declarações à Fox News, o responsável da administração dos EUA afirmou que o consentimento de Lisboa foi concedido de forma prévia, antes mesmo de o pedido formal ser detalhado. Os requerimentos da oposição para averiguar esta cronologia de acontecimentos serão votados "com a maior urgência" na próxima reunião da comissão, prevista para o dia 26 de maio.
Em reação às palavras do homólogo norte-americano, Paulo Rangel desvalorizou o teor literal das declarações e assegurou que las relações bilaterais com Washington permanecem estáveis. O ministro esclareceu que, antes do início das ofensivas diretas ao Irão a 28 de fevereiro, a Base das Lajes operou sob o regime geral de autorizações tácitas partilhado por outros países europeus, como Espanha e Itália. Segundo a nota oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros divulgada pela Agência Lusa, o pedido formal e a respetiva autorização do Governo português só se materializaram após o primeiro ataque, sob a estrita condição de que as operações fossem proporcionais e não visassem alvos civis.
O caso gerou uma forte troca de acusações na arena política nacional. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou o executivo de falta de sentido de Estado, enquanto o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, classificou o episódio como uma "humilhação" diplomática. Por sua vez, Paulo Rangel condenou com veemência as críticas do PS, garantindo que o maior partido da oposição foi consultado e informado previamente. O ministro da tutela assegurou ainda aos jornalistas que, quando a audição parlamentar se realizar, fará questão de que a sessão decorra à porta aberta, argumentando que não existem quaisquer dados confidenciais a ocultar sobre o processo.