Lisboa, 18 de maio de 2026 (Lusa) — O líder do PSD e recandidato à chefia do partido reafirmou hoje a sua determinação em recusar entendimentos governativos tanto com o Chega como com o PS. Ainda assim, o social-democrata rejeitou veementemente o conceito de "cercas sanitárias" no panorama parlamentar.
A garantia surge integrada na moção de estratégia global "Trabalhar - Fazer Portugal Maior", que Luís Montenegro formalizou esta segunda-feira na sede nacional dos sociais-democratas. A candidatura às eleições diretas de 30 de maio foi submetida com o respaldo de mais de 3.000 assinaturas, superando o dobro do limite regulamentar exigido.
No documento estratégico, o atual primeiro-ministro equipara as duas frentes de recusa, vincando que "o sentido do 'não é não' com o Chega é o mesmo do 'não ao bloco central' com o PS". Contudo, Montenegro esclarece que a exclusão de coligações formais de governo "não pode nem deve significar rejeição de diálogo e negociação política", aproveitando o momento para criticar o posicionamento de socialistas e "cheganos".
Posicionando o PSD e a Aliança Democrática (AD) como o eixo da moderação e do reformismo, o líder partidário sustentou que a sua missão passa por governar à margem do "populismo" e da "estagnação socialista", gerindo o mandato minoritário conferido pelos eleitores através do diálogo contínuo na Assembleia da República.
O recandidato apontou ainda que as duas maiores forças da oposição têm articulado alianças pontuais contra o Executivo, considerando esse fenómeno como a prova evidente do "absurdo" que representa falar em isolamento político no Parlamento. Alinhado com as recentes leituras de Belém, Montenegro concluiu com um apelo à estabilidade, sublinhando o cansaço do eleitorado face a cenários de legislativas antecipadas.