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Despesa do SNS com medicamentos atingiu recorde com 4.417 milhões de euros em 2025
Publicado em 19/05/2026 09:14
Nacional
Foto:António Pedro Santos

Lisboa, 19 mai 2026 (Lusa) — Os encargos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos registaram um máximo histórico no ano passado, fixando-se nos 4.417 milhões de euros. De acordo com os relatórios oficiais de 2025, a que a Agência Lusa teve acesso, a despesa em ambiente hospitalar superou, pela primeira vez, a fasquia dos 2.500 milhões de euros.

Especificamente, os hospitais públicos alocaram 2.523,2 milhões de euros a fármacos, o que representa uma subida de 11,2% (mais 254 milhões de euros) face a 2024. Esta tendência de crescimento mantém-se no primeiro trimestre de 2026, período no qual os gastos hospitalares já alcançaram os 693,4 milhões de euros (+7,6%), uma evolução que a autoridade do medicamento (Infarmed) justifica com o alargamento do acesso a terapêuticas inovadoras. Ao montante global do SNS serão ainda deduzidas as devoluções contratuais efetuadas pela indústria farmacêutica.

No setor de ambulatório, as comparticipações estatais cresceram 12,4%, totalizando 1.893,8 milhões de euros para um volume de 203,9 milhões de embalagens dispensadas. Os antidiabéticos lideraram os encargos nesta área, absorvendo 478,9 milhões de euros (+14,7%). Em termos de substância ativa isolada, o anticoagulante Apixabano registou o maior incremento de custos, disparando 70,9% para os 66,6 milhões de euros.

No contexto hospitalar, os fármacos imunomoduladores lideraram o crescimento da despesa com um acréscimo de 78,3 milhões de euros, seguidos pelos citotóxicos e tratamentos para o sistema nervoso central. A oncologia permanece como a área terapêutica mais onerosa, representando mais de um terço do orçamento hospitalar ao atingir 864,5 milhões de euros (+16%). Seguem-se os tratamentos para o VIH (238,2 milhões) e para as doenças raras (medicamentos órfãos), que cresceram 34,1% para os 465 milhões de euros. Já a despesa com vacinas aumentou 69,8%, fixando-se nos 85,5 milhões de euros.

A nível territorial, as Unidades Locais de Saúde (ULS) com maior volume financeiro associado a medicamentos foram a ULS Santa Maria, em Lisboa, com 304,9 milhões de euros, seguida pela ULS de Coimbra (235,9 milhões) e pela ULS São João, no Porto, com 223,4 milhões de euros.

Por tipologia de serviço, as consultas externas e a cedência de produtos ao exterior representaram o maior peso (42,7%), somando 1.076,5 milhões de euros, enquanto o hospital de dia consumiu 900,4 milhões. Contudo, a variação percentual mais expressiva ocorreu nos cuidados de saúde primários, onde a despesa com fármacos disparou 66,5%, atingindo os 97,8 milhões de euros.

O balanço anual do Infarmed indica ainda que a quota de medicamentos biossimilares nos hospitais se fixou em 53,8%. Na área dos dispositivos médicos, o regulador destacou o impacto do regime excecional de comparticipação a 100% das bombas de insulina em farmácias comunitárias, medida em vigor desde o ano passado para os utentes do SNS.

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