PEQUIM (Lusa) – A Tesla anunciou hoje que o seu sistema avançado de condução já está disponível na China. Este passo estratégico surge num dos mercados mais importantes para a empresa, marcado por uma concorrência agressiva entre os gigantes do setor de veículos elétricos.
O anúncio foi feito através da rede social X, onde a empresa detalhou que o serviço chega ao território chinês integrado num lote global que abrange também Estados Unidos, Canadá, México, Austrália, Coreia do Sul, Países Baixos e Lituânia. Embora a Tesla comercialize a tecnologia como "Full Self-Driving" (FSD), o sistema é, para já, uma funcionalidade supervisionada que exige a atenção permanente do condutor.
A chegada desta tecnologia ao mercado chinês é o culminar de meses de negociações lideradas por Elon Musk. O tema da condução autónoma é particularmente sensível na China, devido às rigorosas normas de segurança de dados, privacidade e mapeamento.
O desbloqueio desta funcionalidade foi possível após um acordo estratégico alcançado pela Tesla com a tecnológica Baidu para a utilização de licenças de navegação e mapas. Este avanço foi consolidado num contexto de diplomacia de alto nível, incluindo encontros entre Musk e o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e uma recente visita de Estado à China integrada na comitiva do Presidente Donald Trump.
A Tesla aposta nesta inovação para reforçar a sua competitividade na China, onde as vendas de veículos fabricados localmente registaram uma subida de quase 36% em abril. Contudo, o cenário é desafiante: empresas locais como a BYD, Xpeng, Nio e Xiaomi têm pressionado a liderança da Tesla, arrastando o setor para uma intensa guerra de preços.
Além da concorrência, a Tesla entra no mercado chinês sob um clima de maior vigilância regulatória. Recentemente, as autoridades locais suspenderam a emissão de novas licenças para veículos autónomos após um incidente técnico envolvendo a frota de "robotáxis" da Baidu, o que sublinha o desafio que a empresa norte-americana terá de enfrentar para garantir a conformidade e a confiança das entidades reguladoras chinesas.