Washington, 27 mai 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que poderá indexar o desfecho das negociações de paz com o Irão à entrada de novos países árabes nos Acordos de Abraão, que visam a normalização diplomática com Israel. De acordo com informações avançadas pela agência Lusa, o líder norte-americano afirmou abertamente, durante uma reunião na Casa Branca, que os aliados de Washington no Médio Oriente "lhe devem" esse gesto político. A exigência já tinha sido transmitida no último sábado por via telefónica a líderes de nações como a Arábia Saudita, o Egito, o Qatar e a Turquia, complicando o xadrez das conversações bilaterais.
Apesar de os Estados Unidos e o Irão terem intensificado o diálogo indireto através da mediação do Paquistão para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro, as posições continuam muito distantes. A Casa Branca desmentiu categoricamente uma minuta preliminar divulgada pela televisão estatal iraniana, classificando-a como falsa. O foco central do diferendo permanece na desobstrução militar do estratégico Estreito de Ormuz e na contenção do programa nuclear de Teerão. Contudo, a inclusão da Arábia Saudita e do Qatar nos pactos com Israel surge agora como uma nova exigência de Trump, embora Riade continue a salvaguardar que qualquer aproximação a Telavive depende da criação formal de um Estado Palestiniano autónomo.
Outro grande foco de tensão prende-se com o destino do urânio altamente enriquecido pelo Irão. O regime de Pequim e o de Moscovo já se ofereceram para assumir o controlo ou o armazenamento dos cerca de 440 quilogramas de material radioativo enriquecido a 60% — uma fasquia perigosamente próxima dos níveis militares. Donald Trump, contudo, rejeitou liminarmente o envolvimento de terceiros e vincou que não se sente confortável com a intervenção da Rússia ou da China neste processo, defendendo que o stock de urânio deve ser integralmente transferido para a custódia dos Estados Unidos.
Na abertura da sessão governamental, o Presidente norte-americano assumiu o seu descontentamento com o ponto atual da situação e ameaçou retomar a ofensiva militar para "terminar o trabalho" caso as suas exigências não sejam validadas. Trump descartou ceder qualquer controlo marítimo ao Irão no Estreito de Ormuz e garantiu não estar pressionado pelo calendário eleitoral das intercalares de novembro. O ambiente negocial, que já se encontrava fragilizado após os recentes bombardeamentos "defensivos" dos EUA contra bases de mísseis no sul do Irão, enfrenta agora um impasse profundo que vai muito além das sanções económicas e abrange toda a arquitetura geopolítica da região.