Lisboa, 29 mai 2026 (Lusa) — Luís Montenegro deverá ser reeleito no sábado para um terceiro mandato como presidente do PSD, numa eleição em que surge como candidato único à liderança do partido.
O atual primeiro-ministro antecipou as eleições internas para coincidir com os quatro anos da sua primeira vitória à frente dos sociais-democratas, alcançada em maio de 2022. A decisão foi vista como uma resposta às recentes críticas do antigo líder do partido Pedro Passos Coelho, que voltou a apontar falhas ao ritmo da governação.
Apesar de afastar uma candidatura à liderança do PSD, Passos Coelho tem intensificado as intervenções públicas contra o executivo, chegando esta semana a comparar alguns políticos a “prostitutos sem caráter”, numa conversa pública com o líder do Chega, André Ventura.
Em resposta, Montenegro afirmou que o Governo segue “o seu próprio ritmo” e comparou o executivo a um “corredor de fundo”, defendendo uma estratégia de estabilidade e resistência política até ao final da legislatura.
As eleições diretas decorrem em simultâneo com a escolha dos delegados ao próximo Congresso Nacional do PSD, marcado para junho, em Anadia. Mais de 56 mil militantes estão inscritos para votar.
Na moção de estratégia apresentada para o novo mandato, Luís Montenegro reafirma o compromisso de não formar soluções de governo nem com o Chega nem com o PS, embora admita continuar a negociar com ambos os partidos no Parlamento sempre que necessário.
Desde que assumiu a liderança do PSD, Montenegro venceu duas eleições legislativas em coligação com o CDS-PP e regressou ao Governo em 2024, somando ainda vitórias nas autárquicas e nas eleições regionais da Madeira e dos Açores.