Lisboa, 29 mai 2026 (Lusa) – A Rede Nacional de Expressos (RNE) acusou esta sexta-feira a FlixBus de tentar criar polémica em torno do acesso ao terminal rodoviário de Sete Rios, em Lisboa, considerando que a empresa alemã procura obter “publicidade gratuita” com o caso.
Em comunicado, a RNE assegura que informou a FlixBus, na passada semana, da existência de capacidade disponível para operar naquele terminal e garante que a operadora pode utilizar a infraestrutura “a todo o momento”, desde que cumpra as normas aplicáveis ao transporte rodoviário expresso em Portugal, incluindo as autorizações emitidas pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).
A empresa portuguesa afirma ainda que a reação da FlixBus é “falsa” e acusa a concorrente de tentar posicionar-se como vítima no mercado nacional.
Segundo a RNE, os serviços recentemente criados têm sido concentrados na Gare do Oriente devido ao congestionamento de Sete Rios, sublinhando que a gestão da capacidade do terminal tem em conta limitações operacionais.
Já a FlixBus considera que a decisão da RNE não cumpre integralmente a sentença do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, que determinou o acesso da operadora alemã ao terminal.
A empresa alemã afirma que a declaração enviada pela RNE serve apenas para instruir pedidos junto do IMT e não representa uma autorização efetiva de operação em Sete Rios, acusando a concessionária de continuar a impor entraves administrativos.
A FlixBus defende ainda que existe mais capacidade disponível no terminal do que aquela que está oficialmente indicada, alegando que alguns cais classificados como “de reserva” continuam a ser utilizados regularmente pela Rede Expressos.
O conflito entre as duas operadoras começou em 2023, após a recusa da RNE em permitir o acesso da FlixBus ao terminal de Sete Rios. Em março deste ano, o tribunal determinou que a concessionária deveria garantir o acesso à empresa alemã, de acordo com a capacidade efetivamente disponível.
A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) também já tinha concluído, em 2025, que o terminal tinha condições para receber novos operadores.