Singapura, 31 mai 2026 (Lusa) — Os Estados Unidos e o Japão deram mais um passo no fortalecimento da cooperação militar ao comprometerem-se a acelerar o desenvolvimento e a produção conjunta de mísseis, numa altura em que aumentam as preocupações com a segurança regional e as tensões envolvendo a China e Taiwan.
A iniciativa foi discutida durante um encontro realizado à margem do Diálogo de Shangri-La, em Singapura, entre o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, e o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.
Durante a reunião, Koizumi apresentou a proposta denominada “Operação Impulso”, destinada a acelerar programas conjuntos de armamento, incluindo o desenvolvimento de sistemas de mísseis avançados. Os dois responsáveis analisaram formas de concretizar o projeto e reforçar a cooperação industrial na área da defesa.
A medida surge na sequência dos entendimentos alcançados em março, durante a cimeira realizada em Washington entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, que definiram como prioridade o aprofundamento da colaboração estratégica entre os dois países.
Segundo o Governo japonês, Koizumi explicou também as recentes alterações às regras de transferência de equipamento e tecnologia militar do Japão. Washington manifestou apoio a essas mudanças e aos esforços de Tóquio para reforçar as suas capacidades defensivas.
Embora Taiwan não tenha sido mencionada diretamente no comunicado oficial sobre o encontro, os dois governantes discutiram vários assuntos relacionados com a segurança regional, incluindo temas ligados à China.
Os Estados Unidos e o Japão comprometeram-se ainda a aumentar a presença militar conjunta no sudoeste japonês, particularmente nas ilhas Nansei, localizadas próximo de Taiwan, e a facilitar a mobilização temporária de meios militares norte-americanos na região.
As relações entre Tóquio e Pequim continuam marcadas por divergências sobre a segurança regional. Nos últimos meses, responsáveis japoneses têm alertado que um eventual conflito em torno de Taiwan poderá ter impacto direto na segurança do Japão, uma posição que tem sido criticada pelas autoridades chinesas.