Lisboa, 02 jun 2026 (Lusa) — Os empresários do setor hoteleiro revelam um otimismo moderado para a próxima época alta, demonstrando índices de confiança inferiores aos registados no verão de 2025. Segundo os dados hoje divulgados pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a volatilidade do cenário geopolítico internacional é o principal fator a penalizar as perspetivas do setor, antecipando-se um desempenho mais fraco do mercado interno.
A vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, explicou que o pessimismo se acentuou entre janeiro e maio deste ano. De acordo com o mais recente inquérito da associação, as intenções de aposta no mercado nacional caíram 10 pontos percentuais face ao ano anterior, fixando-se nos 68%. Esta tendência de quebra nas expectativas de procura estendeu-se também a mercados emissores estratégicos, como Espanha e os Estados Unidos da América.
A nível regional, a descida da confiança é transversal a quase todo o território nacional, sendo as quebras mais acentuadas visíveis na região Centro e nos Açores, enquanto a região do Oeste e Vale do Tejo contraria a tendência com uma nota de otimismo. Na globalidade, as projeções apontam para uma quebra geral de desempenho no verão de 2026 por comparação com o período homólogo.
A AHP revelou ainda os indicadores relativos à Páscoa, destacando um sinal de alerta para a Grande Lisboa. Embora a taxa de ocupação nacional na Páscoa tenha subido para os 77%, a receita por quarto disponível na capital só conseguiu ser salvaguardada à custa de uma redução de 6% no preço médio praticado, indiciando os primeiros sinais de pressão no mercado.