Manteigas, 06 jun 2026 (Lusa) — A Serra da Estrela foi oficialmente classificada como Reserva da Biosfera pela UNESCO, uma distinção que comprova a existência de "valores naturais e de biodiversidade incríveis" na região. O anúncio foi feito durante a 38.ª reunião do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera, a decorrer em Hernandarias, no Paraguai, gerando uma onda de orgulho e otimismo entre os autarcas locais.
Flávio Massano, presidente da Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e autarca de Manteigas, considerou o selo internacional como "mais um dia feliz" para o território. O projeto, que arrancou em 2022, resultou de uma parceria entre a Associação Geopark Estrela, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e os seis municípios que integram a serra: Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia.
Para Massano, este reconhecimento valida a competência da equipa — com especial destaque para a coordenadora científica Helena Freitas, professora da Universidade de Coimbra — e traz uma responsabilidade acrescida. "Esta distinção vai colocar-nos numa rede restrita a nível mundial e vai trazer ainda mais curiosos, mais turistas, mais desenvolvimento sustentável e, provavelmente, investidores da economia verde também", antecipou o responsável.
O entusiasmo é partilhado por Carlos Condesso, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE). O também autarca de Figueira de Castelo Rodrigo sublinhou que o estatuto da UNESCO não é apenas um prémio para o património excecional da região, mas sim um compromisso firme com um modelo de desenvolvimento que proteja as populações residentes e as gerações vindouras.
De acordo com Condesso, a entrada nesta rede global vai "aumentar a visibilidade da Serra da Estrela a nível nacional e internacional", promovendo um turismo de natureza mais qualificado, que respeite a cultura e as tradições locais. Adicionalmente, o novo estatuto deverá facilitar o acesso a fundos comunitários, abrindo portas a novas parcerias e projetos de investigação focados na conservação ambiental e na valorização dos recursos endógenos da maior cordilheira de Portugal Continental.