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Telescópio James Webb deteta buraco negro gigante e inativo no início do Universo
Colosso cósmico foi localizado numa galáxia adormecida que remonta a 13 mil milhões de anos. Descoberta só foi possível graças à "dança" das estrelas em seu redor e a efeitos óticos espaciais.
Por Redação
Publicado em 06/06/2026 09:28
International
@Lusa

Madrid, 06 jun 2026 (Lusa) — Uma equipa internacional de astrónomos alcançou um feito inédito ao conseguir medir a massa de um buraco negro supermassivo "adormecido" no Universo primitivo. Ao contrário dos gigantes cósmicos habitualmente estudados, que emitem luz intensa ao devorar matéria de forma agressiva, este objeto encontra-se num estado de calmaria, o que tornou a sua identificação um verdadeiro desafio científico.

O estudo, liderado por Andrew Newman da Carnegie Institution for Science (EUA) e com participação do Instituto de Física da Cantábria (Espanha), recorreu ao potente Telescópio Espacial James Webb para decifrar este enigma. Os resultados da investigação foram publicados na conceituada revista académica Science.

Historicamente, os cientistas localizavam estes colossos distantes através dos quasares — estruturas extremamente brilhantes alimentadas por buracos negros em plena atividade. Contudo, o objeto recém-estudado habita no coração da galáxia MRG-M0138, uma estrutura antiga que produziu a maioria das suas estrelas há cerca de 13 mil milhões de anos e que, hoje em dia, se encontra "morta", sem capacidade de gerar novos astros.

Para calcular o tamanho deste buraco negro silencioso, os cientistas analisaram o movimento coletivo e orbital das estrelas em sua rotação, uma espécie de "dança estelar" influenciada pela gravidade do gigante invisível. A observação detalhada só foi viável devido à combinação da tecnologia do James Webb com o fenómeno de lente gravitacional, um efeito físico natural onde a gravidade de corpos massivos em primeiro plano atua como uma lupa, amplificando a luz vinda do fundo do Cosmos.

Segundo os investigadores, este avanço tecnológico e metodológico abre uma nova era na astrofísica, permitindo mapear e compreender buracos negros inativos numa época em que o próprio Universo tinha apenas uma fração da sua idade atual.

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