Pequim, 07 jun 2026 (Lusa) — A China deu início a uma "operação especial de fiscalização" nas águas localizadas a leste de Taiwan. De acordo com a imprensa estatal de Pequim, a ação surge como uma reação direta às conversações bilaterais entre o Japão e as Filipinas para a definição das suas fronteiras marítimas naquela região do Pacífico. Em resposta, Taipé ativou de imediato um plano de contingência e enviou forças navais para a área.
A ordem partiu do Ministério dos Transportes chinês, que instruiu a polícia marítima das províncias de Guangdong e Fujian a avançar para o terreno. Segundo a agência oficial Xinhua, o objetivo passa por aplicar a "jurisdição administrativa de controlo marítimo" de Pequim, potenciar o patrulhamento em águas profundas e proteger os interesses nacionais. A tutela chinesa classificou a mobilização como um passo "necessário" face ao que considera ser um anúncio unilateral por parte de Tóquio e Manila.
A reação do governo de Taiwan não se fez esperar. A guarda costeira da ilha enviou uma frota de cinco embarcações para monitorizar a atividade de quatro navios chineses que haviam zarpado do porto de Xiamen. Em comunicado, Taipé assegurou que as forças de Pequim foram acompanhadas de perto e que, até ao momento, "em momento algum entraram nas águas restritas" do território, mantendo-se a navegação comercial sem qualquer perturbação.
Ainda assim, as autoridades taiwanesas acusaram a China de aproveitamento político para "intensificar o assédio" e tentar criar uma "falsa impressão de jurisdição" com o intuito de alterar o status quo no Estreito de Taiwan. O Executivo da ilha já tinha solicitado anteriormente a Tóquio e a Manila a sua inclusão nas negociações de demarcação de fronteiras, iniciadas a 28 de maio, por considerar que estas afetam diretamente a sua Zona Económica Exclusiva.
O foco da discórdia diplomática acentuou-se após o encontro em Tóquio entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr. Pequim, pela voz da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, reiterou que a China é a única detentora dos direitos sobre a plataforma continental adjacente a Taiwan, reafirmando a soberania histórica que reclama sobre a ilha de governação autónoma.