Kinshasa, 07 jun 2026 (Lusa) — A epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) continua a agravar-se, registando já 488 casos confirmados e 86 vítimas mortais. O mais recente balanço oficial foi divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) do país, que deixou um aviso claro: o número de infetados poderá disparar drasticamente se não forem acionadas medidas de contenção robustas e imediatas.
A província de Ituri, situada no nordeste do país e que faz fronteira com o Sudão do Sul e o Uganda, permanece isolada como o grande epicentro da crise sanitária, concentrando mais de 94% dos contágios (460 casos). A análise epidemiológica revela que o contágio evoluiu de um foco inicial comum para uma transmissão comunitária ativa, dividida em duas vagas consecutivas de aparecimento de sintomas entre meados de maio e o início de junho.
Atualmente, 267 doentes encontram-se sob isolamento hospitalar nas 25 zonas de saúde afetadas, que se estendem também às províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Até ao momento, apenas nove pessoas conseguiram recuperar da infeção, fixando a taxa de mortalidade deste surto nos 17,6%. As equipas médicas conseguiram monitorizar cerca de 67% dos contactos diretos dos pacientes infetados.
A crise já adquiriu contornos internacionais com a propagação do vírus para o vizinho Uganda, onde foram diagnosticados 19 casos — a maioria dos quais importados da RDCongo — que resultaram em dois óbitos.
O atual surto é provocado pela estirpe de Bundibugyo, uma variante agressiva cuja taxa de letalidade habitual varia entre os 30% e os 50%. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que já declarou a situação como uma emergência de saúde pública de importância internacional, relembrou que não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para esta estirpe. A agência estima que o vírus tenha começado a circular de forma silenciosa dois meses antes da sua deteção oficial a 15 de maio, classificando o risco de expansão como "elevado" para a África Subsariana.