Cairo, 07 jun 2026 (Lusa) — Uma coligação de Organizações Não-Governamentais (ONG), que inclui a Human Rights Watch (HRW), a Amnistia Internacional e o Instituto do Cairo para Estudos de Direitos Humanos, exige a libertação imediata de dezenas de funcionários das Nações Unidas e de outras agências internacionais retidos pelos rebeldes hutis no Iémen.
Num comunicado conjunto, as organizações denunciaram que a vaga de detenções "arbitrárias" levada a cabo pelos insurgentes nos últimos dois anos está a sufocar as operações de assistência e a impedir que ajuda vital chegue a um país fustigado pela guerra e pela subnutrição.
"O facto de os hutis deterem trabalhadores humanitários enquanto a fome se agrava demonstra o absoluto desprezo que têm pela população que vive nos seus territórios no norte do Iémen", acusou Niku Jafarnia, investigadora da HRW para o Iémen e o Bahrein, instando o grupo armado a libertar os profissionais e a focar-se nas carências básicas da população.
A ofensiva contra os operacionais no terreno intensificou-se a partir de maio de 2024, altura em que uma série de rusgas em larga escala culminou na captura de 13 funcionários da ONU e de mais de 50 ativistas da sociedade civil. O cenário agravou-se desde então: as informações mais recentes apontam para que, desde fevereiro de 2026, pelo menos 73 funcionários das Nações Unidas e dezenas de outros trabalhadores humanitários — todos de nacionalidade iemenita — continuem privados de liberdade pelo grupo que controla o norte e o oeste do país.
As ONG manifestaram ainda uma profunda preocupação com a integridade física dos detidos, lembrando que, no ano passado, um colaborador do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreu enquanto se encontrava sob custódia dos rebeldes. "A sua morte agrava os receios quanto à segurança e ao bem-estar de outras pessoas, dado o historial [dos hutis] de tortura e outros maus-tratos contra os detidos", refere a nota, alertando que muitos prisioneiros sofrem de problemas graves de saúde e não têm acesso a assistência médica.
Para justificar a perseguição, os hutis têm promovido uma forte campanha mediática onde acusam o pessoal humanitário de espionagem e de conspiração contra os interesses nacionais. Segundo as organizações de direitos humanos, este pretexto de "segurança" estatal é recorrentemente instrumentalizado pelo movimento rebelde para silenciar a dissidência pacífica e neutralizar qualquer forma de oposição política no Iémen.