Jerusalém, Israel, 07 jun 2026 (Lusa) — O Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, juntou-se este domingo a uma delegação de conselheiros jurídicos da Casa Branca com o objetivo de desenhar uma resposta conjunta àquela que classificam como uma "guerra jurídica" movida contra o Estado de Israel e os Estados Unidos. O encontro serviu para avaliar o uso de instâncias internacionais e mecanismos legais como armas políticas por parte de governos e organizações externas.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, a reunião em Jerusalém contou com a presença de figuras do círculo próximo de Donald Trump, incluindo o embaixador Mike Huckabee, o secretário pessoal da Casa Branca, Will Scharf, e o conselheiro presidencial Daniel Jorjani. Em cima da mesa estiveram os "desafios mútuos" que as democracias enfrentam no combate ao terrorismo global, com foco direto no combate ao isolamento judicial e económico.
O encontro decorreu em paralelo com declarações de Donald Trump à NBC, onde o Presidente norte-americano assegurou manter uma relação de grande proximidade com Netanyahu, precisamente no dia em que a guerra aberta com o Irão completou 100 dias. "Temos sido grandes camaradas", afirmou o líder norte-americano, embora tenha assumido divergências pontuais na gestão do conflito.
O principal ponto de fricção reside na intensidade da campanha militar israelita no Líbano. Trump reiterou publicamente o desejo de ver Telavive aplicar uma estratégia de "ataques mais cirúrgicos" contra o Hezbollah, poupando o território libanês de bombardeamentos massivos. Dias antes, em privado, o tom do Presidente americano tinha sido consideravelmente mais duro, chegando a rotular o comportamento do aliado como "completamente louco".
Apesar do alinhamento formal em Jerusalém no plano jurídico, os bastidores da relação bilateral enfrentam uma crise de desconfiança. O Pentágono elevou o nível de alerta de contraespionagem face a Israel para o patamar "crítico" — o escalão mais grave da segurança interna dos Estados Unidos.
A decisão, avançada pela imprensa norte-americana com base em relatórios da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), foi motivada por suspeitas fundamentadas de que os serviços secretos israelitas estarão a monitorizar de forma "hiperagressiva" as comunicações de altos funcionários da administração Trump. O objetivo de Telavive seria antecipar e recolher dados confidenciais sobre a estratégia secreta que Washington está a desenhar para negociar a paz com o regime do Irão.